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VÍDEO: Prefeito usa marreta para demolir cocho tombado após charretes serem proibidas em MG; Câmara questiona

Prefeito destrói cocho tombado após charretes serem proibidas em Poços de Caldas A Câmara Municipal de Poços de Caldas (MG) fez um requerimento questionand...

VÍDEO: Prefeito usa marreta para demolir cocho tombado após charretes serem proibidas em MG; Câmara questiona
VÍDEO: Prefeito usa marreta para demolir cocho tombado após charretes serem proibidas em MG; Câmara questiona (Foto: Reprodução)

Prefeito destrói cocho tombado após charretes serem proibidas em Poços de Caldas A Câmara Municipal de Poços de Caldas (MG) fez um requerimento questionando a atitude do prefeito Paulo Ney (PSD), que teria destruído um cocho tombado durante um ato público que oficializou o fim do serviço de charretes a cavalo na cidade. A prefeitura nega que o cocho faça parte do patrimônio e alega que ele foi construído após o tombamento da praça (veja nota completa da prefeitura abaixo). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Segundo informações disponíveis no site do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), a praça Getúlio Vargas, onde fica o cocho, integra o Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas, tombado pelo estado desde 1989 e pelo município desde 2006. Conforme o instituto, a área de tombamento é constituída pelas praças Pedro Sanches, Parque José Affonso Junqueira e Praça Getúlio Vargas, Praça Elizário Junqueira e Praça Major Luiz Loyola. Delimitadas pelas vias que contornam estes espaços, o tombamento inclui todas as edificações e estruturas urbanísticas nelas inseridas: coretos, monumentos e fontes. Em contato com o g1, o Iepha-MG informou que o bem cultural conhecido como "cocho", localizado na praça em questão, encontra-se protegido por tombamento estadual. Ainda conforme o instituto, a praça integra o perímetro de tombamento, estando igualmente sujeita às normas de preservação vigentes. Dessa forma, quaisquer intervenções, inclusive as relacionadas ao restauro do "cocho", dependem de prévia anuência do Iepha-MG. Cocho que foi parcialmente destruído é reconstruído pela prefeitura em Poços de Caldas Redes Sociais / Fabiana Assis O instituto informou ainda que mobilizou equipe técnica para realizar vistoria in loco, com o objetivo de avaliar o estado de conservação do "cocho" e verificar possíveis impactos decorrentes de intervenções realizadas. Os profissionais irão elaborar relatório técnico circunstanciado, com as devidas orientações e a indicação das medidas cabíveis. Câmara pede explicações O ato aconteceu na sexta-feira (13). Acompanhado de protetores da causa animal, o prefeito usou uma marreta para quebrar as pedras do cocho que era usado como bebedouro para os animais das charretes. Após a demolição parcial, o cocho foi reconstruído e flores foram plantadas no local. Os vereadores entenderam que a atitude do prefeito foi um desrespeito à história de Poços de Caldas e aos charreteiros. O requerimento apresentado pelo vereador Thiago Mafra (PT) e aprovado por unanimidade questiona a legalidade do ato e se houve autorização dos órgãos responsáveis. Prefeito de Poços de Caldas, Paulo Ney (PSB) participa de ato que destruiu cocho em Poços de Caldas Reprodução redes sociais Segundo o vereador, a Lei Orgânica de Poços de Caldas proíbe a descaracterização de espaços tombados sem autorização legislativa e uma lei complementar de 2006 estabelece que bens protegidos não podem ser destruídos, alterados ou restaurados sem autorização prévia do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico (CONDEPHACT). Em entrevista à EPTV, afiliada à Globo, o professor e historiador Hugo Pontes diz que, como a praça é tombada, todos os elementos nela devem ser preservados. "Se a praça é tombada pelo patrimônio, tudo que está na praça é também objeto de tombamento, então não poderia jamais se mexido, quebrado, mudado. Então faltou à administração municipal uma assessoria que pudesse orientá-los no sentido de que não poderia fazer isso nem aqui nem qualquer outro lugar da cidade", disse o historiador. Ele defende que o local deva ser conservado e, inclusive, sinalizado para registrar a existência das charretes naquele local por décadas como fato histórico da cidade. "A prefeitura deveria colocar uma placa, porque as futuras gerações talvez não venham a se lembrar disso, como nós que estamos presenciando a situação na nossa época", afirmou. Câmara de Poços de Caldas questiona demolição de cocho durante ato sobre fim das charretes Apesar de as charretes a cavalo terem sido extintas em Poços de Caldas, as carruagens elétricas, que deveriam substituí-las, ainda não têm prazo para começar a operar. O que diz a prefeitura Em nota técnica divulgada nesta segunda-feira (23), o Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Poços de Caldas (CONDEPHACT), informou que após análise técnica, entende que a estrutura demolida não se caracterizava como bem tombado, inventariado ou passível de proteção, não configurando, portanto, perda de patrimônio cultural do município. Em nota enviada ao g1, a administração afirma que não houve demolição dos cochos utilizados para hidratação de cavalos nas áreas de estacionamento de charretes. Segundo o município, no dia do encerramento do serviço de transporte turístico por tração animal, foi realizado apenas um ato simbólico, com a retirada das placas de estacionamento e a inutilização dos bebedouros. Diz ainda que, os cochos, antes associados ao uso de animais para trabalho, tiveram sua função encerrada e passaram por um processo de ressignificação, com o plantio de flores nos locais, transformando os espaços em símbolos de renovação e respeito à vida animal. Veja a nota na íntegra: "A Prefeitura Municipal de Poços de Caldas esclarece que não houve demolição dos “cochos” para hidratação de equinos localizados nos espaços destinados ao estacionamento de charretes por tração animal na cidade. Informa-se, para restabelecimento da verdade, que, no dia de encerramento dos serviços turísticos de transporte por charretes, houve um ato simbólico com a retirada das placas de estacionamento e com a inutilização dos referidos bebedouros. Esses cochos, que por muitos anos simbolizaram o uso da força animal nas ruas da cidade, tiveram sua função encerrada e, como parte de um gesto consciente de ressignificação, foram plantadas flores nos locais, conforme imagens já disponibilizadas, transformando espaços antes associados à exploração animal para trabalho em símbolos de renovação, cuidado e respeito à vida. Tal iniciativa reflete o compromisso da gestão municipal com uma cidade mais ética e compassiva em relação aos animais. Salienta-se, por fim, que as instalações nunca foram parte de patrimônio histórico tombado, tampouco integram o rol de equipamentos que compõem o procedimento de tombamento da praça onde estão localizados. A Prefeitura Municipal reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a construção de uma Poços de Caldas cada vez mais moderna, sustentável e sensível ao bem-estar animal." Prefeito de Poços de Caldas, Paulo Ney (PSB) participa de ato que destruiu cocho em Poços de Caldas ONG Pegasus Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas